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OS SEIS FANTASMAS DO MEDO

 

            Faça um inventário de si mesmo, procurando algum remanescente de medo em seu caminho. Pense e Enriqueça – porque nada, absolutamente nada, pode atrapalhá-lo.

 

            ANTES QUE VOCÊ possa por qualquer parte dessa filosofia em uso, com êxito, sua mente deve estar preparada para recebê-la. A preparação não é difícil. Começa com o estudo, a análise e a compreensão dos três inimigos que terá de destronar: indecisão, dúvida e medo.

 

            O sexto sentido nunca poderá funcionar, enquanto esses três negativos, ou algum deles, permanecer em sua mente. Os membros do trio maldito são intimamente ligados; onde se encontra um, os outros dois estão à mão.

 

            Indecisão é a semente do medo! Lembre-se disso enquanto lê. A indecisão se cristaliza na dúvida, as duas se misturam e se tornam medo! O processo de mistura muitas vezes é lento. Essa é uma das razões que tornam os três inimigos tão perigosos. Germinam e crescem sem que sua presença seja observada.

 

            O restante deste capítulo descreve o fim a ser atingido, antes que a filosofia, como um todo, possa ser colocada em uso prático. Analisa também a condição que reduziu grande número de pessoas à pobreza e declara a verdade que deve ser compreendida por todos os que acumulam riquezas, sejam essas medidas em dinheiro ou em estado de espírito, de valor bem maior que o dinheiro.

 

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            O propósito deste capítulo é chamar a atenção sobre a causa e a cura de seis temores básicos. Antes de dominarmos um inimigo é preciso saber-lhe o nome, os hábitos e a moradia. Enquanto lê, analise-se com cuidado e determine qual se é que há – dos seis temores básicos agarrou-se a você.

 

            Não se deixe enganar pelos hábitos desses sutis inimigos. Às vezes se mantém ocultos no subconsciente, onde são difíceis de localizar e mais difíceis ainda de eliminar.

 

 

            Medo É Apenas Estado de Espírito

 

            Há seis temores básicos, de cujas combinações todo o ser humano sofre, numa época ou outra. São felizes os que não sofrem dos seis ao mesmo tempo. Enumerados na ordem de sua aparição mais comum, são eles:

 

Pobreza

Crítica

Saúde precária

Amor perdido

Velhice

Morte

 

            Os três primeiros estão no fundo da maioria das nossas preocupações.

 

            Os outros temores são de menor importância; podem ser agrupados sob esses seis títulos.

 

            Temores nada mais são que estados de espírito. O estado de espírito está sujeito a controle e direção.

 

            O homem nada pode criar sem antes conceber, em forma de impulso de pensamento. Em seguida a essa afirmação, vem outra, de importância ainda maior, isto é, que os impulsos de pensamento começaram a se traduzir, imediatamente, em seu equivalente físico, sejam esses pensamentos voluntários ou involuntários. Impulsos de pensamento apanhados por acaso (pensamentos emitidos por outras mentes) podem determinar nosso destino financeiro, comercial, profissional ou social, com a mesma certeza com que o fazem os impulsos de pensamento criados com intenção e desígnio.

 

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            Estamos aqui lançando o fundamento para a apresentação de um fato de grande importância para quem não entende porque certas pessoas parecem ter “sorte”, enquanto outras, de igual ou maior capacidade, instrução, experiência e capacidade cerebral, parecem destinadas a viver com azar. O fato se explica com a afirmação de que todo ser humano tem a capacidade de controlar completamente a própria mente, sendo que com esse controle, e óbvio, todos podem abrir a mente aos impulsos de pensamento itinerantes, emitidos por outros cérebros, ou fechar as portas, com força, admitindo apenas impulsos de pensamento de sua escolha.

 

            A natureza dotou o homem com controle absoluto sobre uma coisa apenas: o pensamento. Tal fato, acrescido do fato adicional de que tudo o que o homem cria começa em forma de pensamento, leva-nos muito próximo ao princípio de que o medo pode ser dominado.

 

            Se é verdade que todo o pensamento tende a revestir-se no seu equivalente físico (e isso é verdade, sem haver nenhum lugar razoável para dúvidas), é igualmente verdade que os impulsos de pensamento de medo e pobreza não se traduzem em termos de coragem e ganho financeiro.

 

 

            Caminhos que Levam a Direções Opostas

 

            Não pode haver acordo entre pobreza e riqueza! Os dois caminhos que levam, respectivamente, à pobreza e à riqueza, seguem direções opostas. Se você quer riquezas, deve recusar-se a aceitar qualquer circunstância que leve a pobreza. (O vocábulo “riqueza” é empregado aqui em seu sentido mais amplo, significando estados financeiros, espirituais, mentais e materiais.) O ponto de partida do caminho que leva à riqueza é o desejo. No capítulo sobre o desejo, você recebeu instruções completas para o uso correto. Neste capítulo sobre o medo, você tem instruções completas para preparar a mente a fazer uso prático do desejo.

 

            Chegamos então ao lugar em que você deve aceitar o desafio, que irá determinar quanto dessa filosofia assimilou. Eis o ponto em que você pode se transformar em profeta e predizer, com exatidão, o que o futuro lhe reserva. Se, depois

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de ler esse capítulo, você estiver disposto a aceitar a pobreza, pode então preparar-se para recebê-la. Essa decisão não pode ser evitada.

 

            Se você exigir riquezas, determine que espécie e quanto exigirá para ficar satisfeito. Você sabe o caminho que leva à riqueza. Recebeu o mapa que, se for seguido, o conservará no caminho certo. Se não ligar para começar ou parar antes da chegada, a culpa não será de ninguém, senão sua. Essa é sua responsabilidade. Nenhum álibi irá salvá-lo de aceitar a responsabilidade se você falhar ou se recusar a exigir riquezas da vida, porque a aceitação só exige uma coisa – por acaso, a única que você pode controlar – e é o estado de espírito. Estado de espírito não se presume. Não pode ser comprado; deve ser criado.

 

 

            Analise Seus Temores

 

            Medo de pobreza e estado de espírito. Nada mais! Mas é o suficiente para destruir as oportunidades de realização em qualquer empresa.

 

            Esse medo paralisa a faculdade do raciocínio, destrói a faculdade da imaginação, mata a autoconfiança, solapa o entusiasmo, desanima a iniciativa, leva à incerteza de propósito. Encoraja a procrastinação e torna o autocontrole impossível. Tira o encanto da personalidade, destrói a possibilidade de pensar com clareza, desvia a concentração de esforço; domina a persistência, transforma a força de vontade em vazio, destrói a ambição, anuvia a memória e convida o fracasso de todas as maneiras concebíveis; mata o amor e assassina as mais puras emoções do coração, desanima a amizade e convida o desastre de mil maneiras; leva à insônia, infelicidade e miséria – e tudo isso, apesar da verdade óbvia de que vivemos num mundo de superabundância de tudo o que o coração possa desejar, sem nada entre nós e nosso desejo, exceto a falta de um propósito definido.

 

            O medo da pobreza é, sem dúvida, o mais destrutivo dos seis temores básicos. Foi colocado no alto da lista por ser o mais difícil de dominar. Nasceu da tendência herdada do homem de atacar, economicamente, seu semelhante. Quase todos os animais inferiores ao homem são motivados pelo instinto, mas como sua capacidade de pensar é limitada, atacam

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um ao outro fisicamente. O homem, com seu senso superior de intuição, com capacidade de pensar e argumentar, não come seu semelhante corporalmente; sente mais satisfação em “comê-lo” financeiramente. O homem é tão avarento que todas as leis concebíveis já foram promulgadas, para salvaguardá-lo de seu semelhante.

 

            Nada lhe traz mais sofrimento e humilhação que a pobreza! Só os que já experimentaram a pobreza compreendem o pleno significado disso.

 

            Não é de se admirar que o homem tema a pobreza. Numa longa linha de experiências herdadas, o homem aprendeu, com certeza, que alguns de seus semelhantes não merecem confiança, quando se trata de questões de dinheiro e possessões terrenas.

 

            Tão ávido é o homem que para possuir riqueza, será capaz de adquiri-la de qualquer maneira possível – por métodos legais, se puder – por outros métodos, se necessário e conveniente.

 

            A auto-análise pode revelar fraquezas que a gente não gosta de reconhecer. Essa espécie de exame é essencial a todos que exigem da vida mais que mediocridade e pobreza. Lembre-se, ao examinar-se ponto por ponto, que você é tanto o tribunal como o júri, o promotor público e o advogado de defesa e que você é autor e réu; e, também, que está sendo julgado. Encare os fatos corajosamente. Faça-se perguntas definidas e exija respostas diretas. Quando o exame terminar, saberá mais a seu próprio respeito. Se achar que não pode ser juiz imparcial nesse auto-exame, chame alguém que o conheça bem, para servir de juiz, enquanto você se submete a um auto-interrogatório. Você está à procura da verdade. Consiga-a, não importa o preço, mesmo que o deixe temporariamente embaraçado!

 

            A maioria das pessoas, se interrogadas do que têm mais medo, responderiam: “Nada temo.” A resposta seria inexata, porque poucos percebem que estão atados, em desvantagem, fustigados, física e espiritualmente, por alguma espécie de temor. A emoção do medo está tão sutil e profundamente arraigada, que se pode atravessar a vida sob seu jugo, sem jamais reconhecer-lhe a presença. Só uma análise corajosa poderá revelar a presença desse inimigo universal. Ao começar a análise, examine profundamente seu caráter. Eis a lista de sintomas que você deve procurar:

 

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            Seis Sintomas que Demonstram Medo da Pobreza

 

1. Indiferença: Comumente expressa pela falta de ambição, vontade de tolerar a pobreza, aceitação de qualquer compensação que a vida possa oferecer sem protesto, preguiça mental e física, falta de iniciativa, imaginação, entusiasmo e auto-controle.

 

2. Indecisão: Hábito de permitir que outros pensem por nós. Ficar “na moita”.

 

3. Dúvida: Geralmente expressa por álibis e desculpas, designadas para disfarçar, explicar ou desculpar-se dos fracassos, às vezes aparece em forma de inveja dos bem sucedidos, ou por críticas a eles.

 

4. Preocupação: Expressa geralmente encontrando defeitos nos outros, tendência a gastar além das rendas, negligência da aparência pessoal: zangas e carrancas: intemperança no uso de bebidas alcoólicas às vezes pelo uso de narcóticos; nervosismo, falta de equilíbrio e constrangimento.

 

5. Cautela exagerada: Hábito de procurar o lado negativo de todas as circunstâncias, pensando e falando de possíveis fracassos, em vez de se concentrar nos meios de lograr êxito; saber de todos os caminhos que levam ao desastre, sem nunca procurar evitá-los; esperar pelo “momento exato” de começar a por idéias e planos em ação até a espera se tornar hábito permanente; lembrar sempre os fracassados, esquecendo-se dos bem sucedidos; venda os buracos no queijo, sem ver o queijo, pessimismo, que leva à indigestão, eliminação deficiente, auto-intoxicação, mau hálito e má disposição.

 

6. Procrastinação: Hábito de adiar para amanhã o que deveria ter sido feito o ano passado. Perder tempo em criar álibis e desculpas por não ter feito uma tarefa. O sintoma é intimamente ligado à cautela exagerada, dúvida e preocupação; recusa na aceitação de responsabilidades, podendo evitá-las; vontade de entrar em acordo. Em vez de lutar com firmeza; aceitar dificuldades, em vez de vencê-las e usá-las como trampolins ao progresso; pechinchar com a vida por um centavo, em vez de exigir prosperidade, opulência, riquezas, contentamento e felicidade; planejar o que fazer se e quando o fracasso chegar, em vez de queimar as pontes e tomar impossível a retirada; fraqueza e, muitas vezes, falta total de autoconfiança, propósito definido, autocontrole, iniciativa, entusiasmo, ambição, parcimônia. E capacidade de raciocínio sensato; esperar pobreza, em vez de exigir riquezas; ligar-se aos que aceitam a pobreza, em vez de procurar a companhia dos que exigem e recebem riquezas.

 

 

            “Apenas Dinheiro”

 

            Indagarão alguns: “Por que escreveu um livro sobre dinheiro? “Por que medir riqueza em dinheiro, apenas?” Alguns acreditarão, com razão, que existem outras formas de riqueza,

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mais desejáveis que o dinheiro. Sim, há riquezas que não podem ser medidas em termos de dinheiro, mas há milhares de pessoas que dirão: “Dê-me todo o dinheiro de que necessito e encontrarei tudo o mais que desejo”.

 

            A principal razão de eu ter escrito este livro de como ganhar dinheiro é o fato de milhões de homens e mulheres estarem paralisados de medo da pobreza. O que essa espécie de medo causa a pessoa foi bem descrito por Westbrook Pegler:

 

            Dinheiro é apenas concha de molusco ou disco de metal ou, ainda, pedaços de papel. Há tesouros da alma e do coração que o dinheiro não pode comprar, mas a maioria das pessoas, estando sem dinheiro, não consegue ter isso em mente, mantendo a coragem. Quando um homem está sem nada, jogado na rua da amargura, incapaz de obter qualquer emprego, algo lhe acontece ao espírito, que pode ser observado pelo arcar dos ombros, a posição do chapéu, o andar, o olhar. Não consegue fugir à sensação de inferioridade diante de gente que tem emprego, mesmo sabendo, com certeza, que não são seus iguais em caráter, inteligência ou capacidade.

 

            Essa gente – mesmo os amigos – sentem, por outro lado, uma sensação de superioridade e o encaram, talvez inconscientemente, como acidente. Esse poderá pedir dinheiro emprestado, por algum tempo, mas não o suficiente para continuar sua vida costumeira e nem poderá fazê-lo por muito tempo. Mas o próprio fato de pedir emprestado, quando se trata simplesmente de sobreviver, é uma experiência deprimente e falta ao dinheiro emprestado o poder que têm o dinheiro ganho, para animá-lo. É claro que nada disso se aplica aos vagabundos ou boas-vidas habituais, mas apenas a homens de ambição e dignidade normais.

 

            Mulheres nas mesmas condições devem ser diferentes. Nunca pensamos nas mulheres, ao considerar os vencidos. Poucas se acham nas filas de caridade, raramente são vistas pedindo esmola nas ruas e não são reconhecíveis na multidão pelos mesmos sinais patentes que identificam o homem derrotado. Naturalmente não me refiro às bruxas que arrastam os pés nas ruas da cidade e que são o correspondente dos vagabundos masculinos conformados. Refiro-me às mulheres razoavelmente jovens, decentes e inteligentes. Deve haver muitas delas, mas seu desespero não é aparente. Talvez se matem.

 

            Quando o homem está vencido, tem tempo de sobra para se preocupar. Pode viajar muitos quilômetros para ver alguém a respeito de um emprego e descobrir que já foi preenchido ou que é um desses empregos sem pagamento fixo, mas dependente de comissão sobre as vendas de alguma bugiganga inútil, que ninguém compra, a não ser de dó. Se recusar, estará de volta à rua da amargura, sem ter para onde ir. Então, anda e anda. Olha para as vitrines das lojas e os luxos inacessíveis, sentindo-se inferior e dando passagem aos que param para olhar com interesse ativo. Vai para a estação ferroviária ou se senta na biblioteca para descansar as pernas e aquecer-se um pouco, mas isso não

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é procurar emprego, de modo que ele recomeça outra vez. Pode não sabê-lo, mas sua falta de objetivo o trairia, mesmo que sua silhueta não o fizesse. Pode estar até bem vestido, com roupas que sobraram do tempo do emprego firme, mas que não disfarçam o abatimento.

 

            Vê milhares de pessoas, guarda-livros, funcionários, químicos ou ajudantes de vagões, ocupados no serviço, e os inveja do fundo da alma. Eles possuem independência, dignidade e masculinidade, enquanto ele simplesmente não consegue se convencer de que é bom também, embora o discuta consigo mesmo e chegue a um veredicto favorável, hora após hora.

 

            É apenas o dinheiro que faz a diferença. Com um pouco de dinheiro seria ele mesmo novamente.

 

 

            Você Teme as Críticas?

 

            Exatamente de que modo o homem chegou a esse temor, ninguém o sabe com certeza – mas uma coisa é certa: ele o tem de maneira bastante desenvolvida.

 

            O autor tende a atribuir o medo básico à crítica a parte da natureza herdada do homem, que não só o encoraja a tirar os bens e objetos do seu semelhante, mas ainda a justificar a ação, criticando o caráter do seu semelhante. É fato conhecido que o ladrão crítica o homem de quem furta, que políticos procuram vantagens não expondo suas virtudes e qualidades, mas tentando manchar seus oponentes.

 

            Astutos fabricantes de roupas não foram lerdos em capitalizar esse medo básico à crítica, maldição de toda a humanidade. De estação em estação, mudam os estilos de muitos artigos de vestuários. Quem estabelece os estilos? É claro que não é o comprador de roupas, mas o fabricante. Porque os muda com tanta freqüência? A resposta é óbvia: muda os estilos para poder vender mais roupas.

 

            Pela mesma razão os fabricantes de automóveis mudam os estilos dos modelos, a cada ano. Poucos querem ter um carro que não seja do último tipo.

 

            Estávamos descrevendo o modo pelo qual as pessoas se comportam sob a influência do temor à crítica, no que se refere às pequenas e mesquinhas coisas da vida. Examinemos agora o comportamento humano, quando esse temor afeta as pessoas em relação a fatos mais importantes nas relações humanas. Tomemos como exemplo praticamente qualquer pessoa que tenha chegado a idade da maturidade mental (dos 35 aos 40 anos,

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como média geral). Se se pudesse ler-lhe os pensamentos secretos, encontraríamos, em geral, uma descrença muito decidida nas fábulas que inúmeros dogmáticos ensinavam há algumas décadas.

 

            Por que é que a pessoa média, mesmo nos nossos dias de esclarecimento, hesita em negar sua crença nas fábulas? A resposta é: “Medo da crítica”. Homens e mulheres já foram queimados vivos por ousarem manifestar descrença em fantasmas. Não é de admirar que tenhamos herdado uma consciência que nos faz temer as críticas. Houve época, e não muito distante, em que a crítica trazia severos castigos – ainda os traz, em alguns países.

 

            O medo à crítica rouba a iniciativa ao homem, destrói-lhe o poder de imaginação, limita-lhe a individualidade, tira-lhe a autoconfiança, causando-lhe danos em centenas de outras maneiras. Pais causam aos filhos, às vezes, ferimentos irreparáveis, ao criticá-los. A mãe de um de meus companheiros de infância costumava castigá-lo quase diariamente, com uma chibata, sempre completando a obra com a afirmação: “Você acabará na penitenciária antes dos vinte.” Mandaram-no a um reformatório, aos dezessete anos de idade.

 

            Crítica é uma forma de serviço que todos têm em demasia. Todos possuem um estoque dela, distribuindo-a, de graça, quer a pedido, quer não. Os parentes mais próximos são, às vezes, os piores ofensores. Deveria ser considerado crime (na realidade e crime da pior espécie) os pais criarem complexos de inferioridade na mente da criança, por críticas desnecessárias. Empregadores que compreendem a natureza humana conseguem o máximo dos homens, não através de críticas, mas por sugestões construtivas. O mesmo resultado pode ser obtido pelos pais, com relação aos filhos. A crítica implanta o medo no coração humano, ou então ressentimento, mas nunca amor ou afeição.

 

 

            Sete Sintomas que Demonstram Medo à Crítica

 

            Esse medo é quase tão universal quanto o medo da pobreza e seus efeitos fatais a realização pessoal, principalmente porque destrói a iniciativa e desencoraja o uso da imaginação. Os sintomas principais são:

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1. Acanhamento: Geralmente expresso por nervosismo, timidez na conversação e em conhecer estranhos, movimentos desajeitados das mãos e membros, olhares desviados.

 

2. Falta de equilíbrio: Expressa por falta de controle da voz, nervosismo na presença dos outros, má postura do corpo, péssima memória.

 

3. Personalidade fraca: Falta de firmeza nas decisões, de encanto pessoal e capacidade de exprimir opiniões com firmeza. Hábito de desviar-se dos assuntos, em vez de encará-los. Concordância com os outros, sem antes examinar-lhes as opiniões, com cuidado.

 

4. Complexo de inferioridade: Hábito de expressar auto-aprovação oralmente e por ações, como meio de disfarçar o sentimento de inferioridade; usar palavras “grandiloqüentes” para impressionar os outros (muitas vezes sem conhecer-lhes o verdadeiro significado), imitar outros na maneira de vestir, falar e nos modos, jactando-se de realizações imaginárias. Isso dá, por vezes, a aparência superficial de um sentimento de superioridade.

 

5. Extravagância: Hábito de tentar “emparelhar com os Silva”, gastando além das possibilidades.

 

6. Falta de iniciativa: Fracasso em aproveitar oportunidades de progredir, medo de expressar opiniões. Falta de confiança nas próprias idéias, dando respostas evasivas as perguntas formuladas por superiores, hesitarão nas maneiras e no falar, falsidade nas palavras e feitos.

 

7. Falta de ambição: Lassidão mental e física, falta de auto-afirmação, lentidão em chegar às decisões, facilidade em ser influenciado; hábito de criticar os outros, nas costas e elogiá-los na frente; hábito de aceitar a derrota sem protesto ou fugir a um empreendimento, se encontrar oposição; suspeita imotivada dos outros, falta de tato nas maneiras e no falar, má vontade em aceitar a culpa dos erros.

 

 

            Você Teme a Saúde Deficiente?

 

            Esse medo tem suas raízes na hereditariedade, tanto física, como mental. Está intimamente associado. Em sua origem, as causas do medo da velhice e da morte, porque conduz as fronteiras de “mundos terríveis”, dos quais o homem nada sabe, mas dos quais ouviu histórias desconcertantes. Existe também a opinião, algo generalizada, de que certas pessoas sem ética fazem negócios “vendendo saúde”, mantendo vivo o medo da doença.

 

            De modo geral, o homem teme a saúde deficiente por causa dos terríveis quadros plantados em sua mente, do que pode acontecer se a morte o alcançar. Teme-a também pela taxa econômica que representaria.

 

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            Um médico de renome calculou que 75% das pessoas que consultam médicos sofrem de hipocondria (doença imaginária). Já se demonstrou, de maneira convincente, que o medo da doença, mesmo não havendo a menor causa para o medo, muitas vezes produz os sintomas físicos da moléstia temida.

 

            Poderosa é grande e a mente humana! Pode construir e pode destruir.

 

            Explorando a fraqueza comum do medo a doença, vendedores de remédios patenteados amontoaram fortunas. Essa forma de engano da crédula humanidade prevaleceu a tal ponto há algumas décadas, que uma revista popular fez amarga campanha contra os piores ofensores no negócio dos remédios patenteados.

 

            Por uma série de experiências feitas há alguns anos, foi provado que se pode tornar as pessoas doentes, por sugestões. Fizemos a experiência pedindo a três conhecidos que visitassem as “vítimas”, perguntando: “O que é que tem? Você parece estar muito doente.” o primeiro geralmente provocava um sorriso e um casual: “Nada, estou muito bem”. Ao segundo a vítima geralmente afirmava: “Não sei exatamente. mas sinto-me mal”. O terceiro já recebia a admissão franca de que a vítima estava realmente se sentindo doente.

 

            Tente isso com algum conhecido seu, se dúvida que o fará ficar inquieto, mas não vá longe demais com a experiência. Há certa seita religiosa, cujos membros se vingam dos inimigos pelo método da “bruxaria”. Chamam-no de “enfeitiçar” a vítima.

 

            Existem provas arrasadoras de que a doença, às vezes, começa em forma de impulso de pensamento negativo. Tal impulso pode ser passado de uma mente a outra, por sugestão, ou criada pelo indíviduo, em sua própria mente.

 

            Um homem de mais sabedoria do que possa parecer por esse incidente, disse certa vez: “Se alguém me pergunta como me sinto, sempre quero responder derrubando-o”.

 

            Médicos costumam mandar pacientes para climas novos, porque se faz necessária uma mudança de “atitude mental”. A semente do medo da doença vive em todas as mentes humanas. Preocupação, medo, desânimo, decepção no amor e nos negócios faz com que a semente germine e cresça.

 

            Decepções em negócios e no amor encabeçam a lista das causas da saúde deficiente. Um jovem sofreu tal decepção amorosa, que foi parar no hospital. Ficou, durante meses, entre

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a vida e a morte. Chamaram um especialista em psicoterapia. Esse mudou as enfermeiras, mandando uma jovem encantadora, que começou (de acordo com o médico), a namorá-lo desde o primeiro dia em que entrou no emprego. Três semanas depois, o paciente recebeu alta, sofrendo ainda, mas de doença bem diferente. Amava novamente. O remédio foi um embuste, mas paciente e enfermeira se casaram, mais tarde.

 

 

            Sete Sintomas que Demonstram Medo de Doença

 

1. Auto-sugestão: Hábito do uso negativo da auto-sugestão, procurando e esperando encontrar, sintomas de todas as espécies de doença; “gozar” de doença imaginária e falando dela como se fora real; hábito de tentar todas as “modas” e “ismos”, recomendados por outros, como tendo valor terapêutico; falar com os outros sobre operações, acidentes e outras formas de doenças, experimentar dietas, exercícios físicos, sistemas de perder peso, sem orientação profissional; tentar remédio caseiros, remédios patenteados e remédios de charlatães.

 

2. Hipocondria: Hábito de falar em moléstias, concentrando a mente em doenças e esperando-lhes o aparecimento até haver um esgotamento nervoso. Nada que vem em frascos pode curar esse estado. É provocado por pensamentos negativos e somente pensamentos positivos poderão curá-lo. A hipocondria (termo médico para doenças imaginárias) é causadora de tanto dano, ocasionalmente, quanto a própria moléstia poderia causar. Muitos casos “nervosos” provem de doenças imaginárias.

 

3. Indolência: o temor de saúde precária freqüentemente interfere com os exercícios físicos corretos e produz excesso de peso, fazendo com que se evite a vida ao ar livre.

 

4. Suscetibilidade: Medo de má saúde quebra a resistência natural do organismo, criando condições favoráveis a qualquer forma de moléstia que se possa contrair. O medo de doenças está comumente relacionado ao medo da pobreza, especialmente no caso do hipocondríaco, que se preocupa sempre com a possibilidade de ter de pagar contas de médico, de hospital, etc. Esse tipo de pessoa perde muito tempo preparando-se para a doença, falando sobre morte, economizando dinheiro para lotes no cemitério e despesas de funeral, etc.

 

5. Mimar a si mesmo: Hábito de tentar despertar piedade, usando a doença imaginária como meio (esse truque é muitas vezes empregado para evitar trabalho); hábito de fingir doença, para disfarçar a preguiça, ou como álibi para a falta de ambição.

 

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6. Intemperança: Hábito do uso de álcool ou narcóticos, para eliminar dores, como a de cabeça, nevralgia, etc., em vez de eliminar-lhes a causa.

 

7. Preocupação: Hábito de ler sobre doenças e preocupar-se com a possibilidade de ser por elas atingido, assim como o hábito de ler anúncios de remédios patenteados.

 

 

            Você Teme a Perda do Amor?

 

            A fonte original desse temor inerente data, obviamente, do hábito poligâmico do homem, de roubar a companheira de seu semelhante e do hábito de tomar liberdades com ela, sempre que pode.

 

            Ciúme e outras formas similares de neurose originam-se do medo herdado da perda de amor. Esse é o mais doloroso dos seis temores básicos. Provavelmente produz mais destruição no corpo e no espírito que qualquer outro dos temores básicos.

 

            O medo da perda do amor possivelmente se origina da idade da pedra, quando os homens arrebatavam as mulheres pela força bruta. Continuam a roubar mulheres, mas a técnica mudou. Em vez de força, empregam agora a persuasão, promessa de belas roupas, lindos carros e outras “iscas”, muito mais eficazes que a força física. Os hábitos do homem são os mesmos da aurora da civilização, só que são expressos de maneira diferente.

 

            Análise cuidadosa demonstrou que as mulheres são mais suscetíveis a esse temor que os homens. O fato se explica facilmente. As mulheres aprenderam, por experiência, que os homens são polígamos por natureza, que não se pode confiá-los às mãos de rivais.

 

 

            Três Sintomas que Demonstram Medo da Perda do Amor

 

1. Ciúme: Hábito de suspeitar de amigos e de criaturas amadas, sem qualquer prova razoável, sem motivo suficiente; hábito de acusar a esposa ou o marido de infidelidade, sem motivo; suspeita geral, de todos, sem fé absoluta em ninguém.

 

2. Encontrar defeitos: Hábito de encontrar defeitos em amigos, parentes, sócios comerciais e seres amados, à menor provocação, ou sem causa alguma.

 

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3. Jogo: Hábito de jogar, furtar, enganar e aproveitando outras oportunidades perigosas para conseguir dinheiro para os seres amados, com a crença de que o amor pode ser comprado; hábito de gastar além dos meios ou incorrer em dívidas para dar presentes a quem se ama, com o intuito de causar impressão favorável; insônia nervosismo, falta de persistência, fraqueza de vontade, falta de autocontrole, falta de confiança em si mesmo, mau gênio.

 

 

            Você Teme a Velhice?

 

            De modo geral, esse temor provém de duas fontes. Em primeiro lugar está o pensamento de que a velhice pode trazer pobreza. Em segundo lugar, e muito mais comum, de ensinamentos falsos e cruéis do passado, muito bem misturados com “fogo e enxofre” e outras superstições, astutamente planejadas para escravizar o homem pelo medo.

 

            No temor básico da velhice, o homem tem duas razões sólidas para apreensão: uma nascida da desconfiança em relação a seus semelhantes que poderão se apossar de todos os bens terrenos que possui, outra originada dos quadros terríveis que seu espírito guarda do mundo do além.

 

            A possibilidade de doença, mais comum na velhice também é causa que contribui ao temor da idade provecta. Erotismo também contribui para o medo da velhice, pois ninguém se alegra com a idéia da diminuição da atração sexual.

 

            A causa mais comum de medo da velhice está ligada a possibilidade de pobreza. “Asilo” não é palavra bonita. Arrepia a todos os que encaram a possibilidade, de ter de passar os últimos anos numa instituição para velhos pobres.

 

            Outra causa que contribui ao temor da velhice e a possibilidade de perda de liberdade e independência, pois a idade avançada pode trazer a perda tanto da liberdade física como da econômica.

 

 

            Quatro Sintomas que Demonstram Medo da Velhice

 

1. Diminuição prematura de ritmo: Tendência de diminuir o ritmo por volta dos quarenta anos – idade da maturidade mental – e de desenvolver um complexo de inferioridade acreditando-se decadente devido à idade.

 

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2. Desculpas pela idade: Hábito de falar, como quem se desculpa de estar velho, só por ter alcançado a idade de quarenta ou cinqüenta. Ao contrário, dever-se-ia expressar gratidão, por se ter alcançado a fase da sabedoria e da compreensão.

 

3. Perda da iniciativa: Iniciativa, imaginação e autoconfiança se perdem quando se acredita, falsamente, que se é velho demais para exercer tais qualidades.

 

4. Disfarçar-se de jovem: Hábito de adotar vestuário e maneiras de gente moça. O que só causa ridículo, diante de amigos e estranhos e é bastante comum.

 

 

            Você Teme a Morte?

 

            Para alguns esse é o temor básico mais cruel. A razão é óbvia. A terrível angústia do medo, ligado ao pensamento da morte, pode ser atribuído, em muitos casos, a fanatismo religioso. Os supostos “pagãos” temem menos a morte que os “civilizados”. Durante milhares de anos o homem continua fazendo as perguntas não respondidas: “De onde?” e “Para onde?”. “De onde venho e para onde vou?”

 

            Em épocas menos esclarecidas, no passado, os astutos e hábeis eram rápidos em oferecer respostas a essas perguntas, por determinado preço.

 

            “Vem à minha tenda, abraça a minha fé, aceita meus dogmas e te darei a entrada que te admitirá diretamente ao céu, quando morreres”, proclama um líder do sectarismo. “Permanece fora de minha tenda e o diabo te levará e te queimará por toda a eternidade.”

 

            A idéia do castigo eterno destrói o interesse na vida e torna a felicidade impossível.

 

            Conquanto o líder religioso não possa fornecer salvo-conduto ao céu, nem (por falta de tal disposição) permitir que o infeliz desça ao inferno, essa última possibilidade parece tão terrível que o próprio pensamento toma conta da imaginação, de maneira tão realista que paralisa a razão é causa o medo da morte.

 

            Atualmente o temor da morte já não é tão comum quanto o era, na época em que não havia ainda as grandes universidades. As cientistas lançaram as luzes da verdade sobre o mundo e essa verdade está libertando, rapidamente, homens e mulheres, do terrível medo da morte. As jovens que freqüentam as universidades e outras instituições de ensino não se

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impressionam facilmente com o “fogo e o enxofre”. Com o auxílio da biologia, da astronomia, da geologia e outras ciências afins, os temores da Idade Média, que dominavam a mente humana, foram dissolvidos.

 

            O mundo inteiro consiste apenas de duas coisas: energia e matéria. Em física elementar aprendemos que nem a matéria nem a energia (as únicas realidades que o homem conhece), podem ser criadas ou destruídas. Tanto a matéria como a energia podem ser transformadas, mas nunca destruídas.

 

            A vida é energia, não há dúvida nenhuma. Se nem energia, nem matéria podem ser destruídas, é claro que a vida não pode ser destruída. Como outras formas de energia, pode passar por vários processos de transição, ou transformação, mas não pode ser destruída. A morte é mera transição.

 

            Se a morte não for mera transformação ou transição, então nada mais vem depois dela senão um sono longo, eterno, tranqüilo e o sono não deve ser temido. Assim, você poderá eliminar, para sempre, o medo da morte.

 

 

            Três Sintomas que Demonstram Medo da Morte

 

1. Pensar em morrer: Hábito que prevalece entre os idosos, embora os mais jovens se preocupem muitas vezes com a morte em vez de aproveitar a vida ao máximo. Isso se deve, freqüentemente à falta de propósito ou a inabilidade de encontrar – talvez graças à falta de propósito – uma profissão adequada. O maior remédio para o medo da morte é o desejo ardente de realização, baseado em serviços úteis aos outros. A pessoa ocupada não pensa em morrer.

 

2. Associação com o medo da pobreza: Pode-se temer o assalto da pobreza na própria vida ou que a morte cause pobreza aos seres amados.

 

3. Associação com doença ou desequilíbrio: Doença física pode levar à depressão mental. Decepção no amor, fanatismo religioso, estado grave de neurose ou insanidade mesmo são também causas do medo da morte.

 

 

            Preocupação É Medo

 

            A preocupação é um estado de espírito, baseado no medo. Age com lentidão, mas persistentemente. É insidiosa e sutil. Passo a passo ela se infiltra, até paralisar a faculdade de raciocínio,

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destruindo a autoconfiança e a iniciativa. Preocupação é uma forma de medo admitido, causado pela indecisão: portanto, é um estado de espírito controlável.

 

            Mente alterada é mente inútil. A indecisão altera a mente. A maioria das pessoas não possui o poder de chegar às decisões com rapidez, sustentando-as depois de tornadas.

 

            Condições não nos preocupam, uma vez alcançada a decisão de seguir uma linha de ação definida. Certa vez entrevistei um homem que seria eletrocutado dali a duas horas. O condenado era o mais calmo dos oito prisioneiros, que com ele estavam na cela da morte. Sua calma fez com que lhe perguntasse o que sentia, sabendo que entraria na eternidade dali a pouco. Com um sorriso de confiança, respondeu: “Sinto-me otimamente. Imagine só, companheiro, minhas preocupações logo terminarão. Só tive preocupações em toda a minha vida. Sempre foi difícil conseguir alimento e vestuário. Logo mais não precisarei dessas coisas. Sinto-me bem desde que soube, com certeza, que deveria morrer. Resolvi, então, aceitar o destino com bom humor”.

 

            Enquanto falava, devorava um jantar de proporções suficientes para três homens, comendo cada porção que lhe traziam e, aparentemente, apreciando-as como se nada fatal o aguardasse. A decisão lhe trouxe resignação ao seu destino! A decisão pode também impedir a aceitação de circunstâncias indesejáveis.

 

            Os seis temores básicos se traduzem num estado de preocupação, através da indecisão. Liberte-se para sempre do medo da morte, chegando à decisão de aceitar a morte como um acontecimento inevitável. Vença o medo da pobreza chegando a decisão de se conformar com qualquer riqueza que possa acumular sem preocupações. Pise com força no medo da crítica, alcançando a decisão de não se preocupar com o que os outros possam pensar, fazer ou dizer. Elimine o medo da velhice, tomando a decisão de aceitá-la, não como desvantagem, mas como benção, que traz sabedoria, autocontrole e compreensão desconhecidos à juventude. Isente-se do medo das doenças com a decisão de esquecer os sintomas. Domine o medo da perda de amor, chegando à decisão de viver sem amor, se isso for necessário.

 

            Mate o hábito de preocupação, sob todos os aspectos, tomando a decisão geral, coletiva, de que nada que a vida tem

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a oferecer vale o preço da preocupação. Com essa decisão virá o equilíbrio, paz de espírito e a tranqüilidade de pensamento que trazem a felicidade.

 

            O homem cuja mente está cheia de medo, não só destrói suas próprias oportunidades de ação inteligente, como transmite essas vibrações destrutivas as mentes dos que entram em contato com ele, destruindo-lhes, ainda, as oportunidades.

 

            Até o cachorro e o cavalo sabem quando falta coragem ao dono; captarão as vibrações de medo emitidas pelo dono, comportando-se de acordo. Mesmo descendo a escala da inteligência, no reino animal, encontra-se essa mesma capacidade de captar as vibrações de medo.

 

 

            Pensamento Que Destrói

 

            As vibrações de medo passam de uma mente a outra com a mesma rapidez e segurança com que o som da voz humana passa da estação transmissora ao aparelho receptor de rádio.

 

            A pessoa que exprime em palavras pensamentos negativos e destrutivos é quase certo que experimente os resultados de suas palavras, em forma de “retribuição” destrutiva. A liberação de impulsos de pensamentos destrutivos, sem auxílio de palavras, também produz “retribuição” de vários modos. Em primeiro lugar, e talvez o mais importante de ser lembrado, é que a pessoa que libera pensamentos de natureza destrutiva deve sofrer danos através do aniquilamento da faculdade da imaginação criadora. Em segundo lugar, a presença de qualquer emoção destrutiva na mente desenvolve uma personalidade negativa, que repele as pessoas, convertendo-as, freqüentemente, em inimigas. A terceira fonte de danos à pessoa que alimenta ou libera pensamentos negativos jaz nesse fato significativo: os impulsos de pensamento não só são prejudiciais a outros, como também se infiltram no subconsciente da pessoa que os libera, tornando-se parte de seu caráter.

 

            O que você procura na vida, presumivelmente, é alcançar sucesso. Para ser bem sucedido é preciso encontrar paz de espírito, satisfazer as necessidades materiais da vida e, acima de tudo, atingir a felicidade Todas essas evidências de sucesso começam em forma de impulsos de pensamento.

 

            Você pode controlar a mente, tem o poder de fornecer-lhe os impulsos de pensamento que escolher. Com esse privilégio

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vai também a responsabilidade de usá-lo de maneira construtiva. Você é o senhor de seu destino terreno, do mesmo modo que possui o poder de controlar seu ambiente, tornando sua vida o que deseja que ela seja – ou pode deixar de exercer o privilégio que lhe pertence, de fazer sua vida de encomenda, jogando-se assim ao alto mar das “circunstâncias”, onde será balançado para cá e para lá, qual casquinha nas ondas do oceano.

 

 

            Você É Suscetível Demais?

 

            Somado aos Seis Temores Básicos, existe outro mal de que sofrem as pessoas. Constitui solo rico, em que as sementes do fracasso crescem em abundância. É tão sútil, que sua presença muitas vezes nem e notada. Essa atribulação não pode ser chamada, com propriedade, de temor. Está mais arraigada e é mais freqüentemente fatal que todos os seis temores juntos. Por falta de um nome melhor, chamemos o mal de suscetibilidade a influências negativas.

 

            Homens que acumulam grandes riquezas sempre se protegem contra o mal. Os indigentes nunca o fazem! Os que obtêm êxito em qualquer profissão devem preparar a mente para resistir ao mal. Se você está estudando esta filosofia com o intuito de acumular riquezas, examine-se com cuidado, para determinar se é suscetível a influências negativas. Se negligenciar essa auto-análise, perderá o direito de alcançar o objeto de seus desejos.

 

            Faça uma análise perscrutadora. Depois de ler as perguntas preparadas para a auto-análise, atenha-se a um balanço estrito, nas respostas. Enfrente a tarefa com o mesmo cuidado com que vasculharia a presença de outro inimigo, que o estivesse esperando numa armadilha e saiba lidar com as próprias falhas como o faria com um inimigo mais tangível.

 

            Você pode facilmente se proteger contra assaltantes de estrada, porque a lei fornece cooperação organizada a seu favor; mas esse “sétimo mal básico” é mais difícil de dominar porque o ataca quando você nem lhe percebe a presença. Enquanto você dorme e enquanto está desperto. A arma que usa é intangível, porque consiste apenas de um estado de espírito. O mal também é perigoso, porque ataca em tantas formas

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quantas são as experiências humanas. Às vezes, penetra a mente pelas palavras bem intencionadas dos próprios parentes. Outras vezes, vem de dentro, pela própria atitude mental de cada um. É sempre mortal como o veneno, embora não mate com tanta rapidez.

 

 

            Proteja-se

 

            Para proteger-se contra influências negativas, sejam de sua própria criação ou resultado de atividades de pessoas negativas, que o cercam, reconheça que possui força de vontade, colocando-o em uso constante até formar um muro de imunidade contra influências de sua mente.

 

            Reconheça o fato de que você e todo o ser humano são, por natureza, preguiçosos, indiferentes e suscetíveis às sugestões que se harmonizem com suas fraquezas.

 

            Reconheça que você é suscetível, por natureza, aos seis temores básicos, adquirindo hábitos que combatam tais temores.

 

            Reconheça que influências negativas muitas vezes se exercem sobre seu subconsciente, o que torna difícil captá-las e conserve a mente fechada contra as pessoas que o deprimem ou desanimam de algum modo.

 

            Falta uma limpeza no armário de remédios, jogando fora as comprimidos e pare de alcovitar resfriados, dores e doenças imaginárias.

 

            Procure, deliberadamente, a companhia de gente que a influencie a pensar e agir por si.

 

            Não espere aborrecimentos, pois eles têm o costume de não desapontá-lo.

 

            Sem dúvida, a fraqueza mais comum dos seres humanos é a de deixar a mente aberta à influência negativa dos outros. Essa fraqueza é ainda mais prejudicial porque a maioria das pessoas não reconhece que carrega consigo a maldição e os que a reconhecem, deixam de corrigi-la ou recusam-se a corrigir o mal até se tomar parte incontrolável de seus hábitos diários.

 

            Para ajudar aos que se querem ver como realmente são, foi preparada essa lista de perguntas. Leia-as e dê as respostas em voz alta, para que possa ouvir a própria voz. Isso lhe facilitará ser franco consigo mesmo.

 

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            Pense Antes de Responder

 

            Você se queixa, com freqüência, de “sentir-se mal” e, quando isso acontece, qual a causa?

 

            Encontra defeitos nos outros à menor provocação. Comete erros freqüentes em seu trabalho e, se é assim, por quê?

 

            É sarcástico e ofensivo ao conversar?

 

            Evita, deliberadamente, a companhia de qualquer pessoa e, sendo assim, por quê?

 

            Sofre muito de indigestão? Se sofre, qual a causa?

 

            A vida lhe parece fútil e o futuro sem esperança? Gosta da sua profissão? Se não, por quê?

 

            Sente, com freqüência, autocompaixão? Se sente, por quê?

 

            Sente inveja dos que o superam?

 

            A que dedica mais tempo: a pensar no sucesso ou no fracasso?

 

            Está ganhando ou perdendo confiança em si mesmo, à medida que envelhece?

 

            Aprende algo de valor, dos erros cometidos?

 

            Permite que algum parente ou amigo o preocupe? Se é assim, por quê?

 

            Acontece, às vezes, estar “nas nuvens” e outras vezes, nas profundezas do desespero?

 

            Quem exerce sobre você a influência mais inspiradora? Qual a causa?

 

            Tolera influências negativas ou desanimadoras podendo evitá-las?

 

            Não se importa com a aparência pessoal? Sendo assim, quando e por quê?

 

            Aprendeu a “afogar as magoas” ficando ocupado demais para que o aborreçam?

 

            Chamar-se-ia de “Maria-vai-com-as-outras” se permitisse aos outros pensarem por você?

 

            Quantos distúrbios evitáveis o aborrecem e por que os tolera?

 

            Recorre à bebida, narcóticos ou cigarros para “acalmar os nervos”? Se é assim, por que não tenta a força de vontade em lugar deles?

 

            Alguém o “caceteia”? Por quê?

 

            Tem algum propósito importante e, sendo assim, o que é e quais os planos para alcançá-lo?

 

(p. 204)

            Sofre de algum dos seis temores básicos? De qual deles?

 

            Possui um método que o proteja das influências negativas?

 

            Faz uso deliberado da auto-sugestão, para tomar a mente positiva?

 

            O que preza mais: suas propriedades materiais ou o privilégio de controlar os próprios pensamentos?

 

            É facilmente influenciado por outros, contra seu próprio juízo?

 

            O dia de hoje acrescentou alguma coisa ao seu estoque de conhecimentos ou estado de espírito?

 

            Encara, com coragem as circunstâncias que o tomam infeliz ou evita a responsabilidade?

 

            Analisa os erros e fracassos, tentando tirar vantagens deles, ou sua atitude é de que isso não lhe compete?

 

            Pode enumerar três de suas fraquezas mais prejudiciais? O que está fazendo para corrigi-las?

 

            Você anima os outros a lhe contarem suas preocupações, despertando-lhe a compaixão?

 

            Escolhe, das experiências diárias, lições ou influências que possam ser úteis ao seu progresso pessoal?

 

            Sua presença exerce influência negativa sobre os outros, via de regra?

 

            Quais os hábitos alheios que mais o aborrecem?

 

            Forma opiniões próprias ou deixa-se influenciar pelos outros?

 

            Aprendeu a criar um estado de espírito capaz de escudá-lo contra influências desanimadoras?

 

            Sua profissão lhe inspira fé e confiança?

 

            Sente-se possuidor de forças espirituais de poder suficiente para manter a mente livre de todas as formas de medo?

 

            A religião ajuda a manter sua mente objetiva?

 

            Acha que é seu dever compartilhar das preocupações alheias? Por quê?

 

            Se acredita que “cada qual com seu igual”, o que descobriu a seu respeito, estudando os amigos que atrai?

 

            Qual a ligação, se é que existe, que vê entre as pessoas com as quais se dá mais intimamente e infelicidade que possa experimentar?

 

            Seria possível que alguém, a quem considera amigo, seja na realidade seu pior inimigo, devido à influência negativa sobre sua mente?

 

(p. 205)

            De acordo com que regras julga os que lhe são úteis e os que lhe prejudiciais?

 

            Seus companheiros mais íntimos são superiores ou inferiores a você mentalmente?

 

            De cada vinte e quatro horas, quanto tempo dedica a:

 

a. suas ocupações

b. sono

c. jogos e descanso

d. aquisição de conhecimentos úteis

e. simples perda de tempo?

 

            Quem, entre seus amigos:

 

a. o anima mais

b. o admoesta mais

c. o desanima mais?

 

            Qual a sua maior preocupação? Por que a tolera?

 

            Quando alguém lhe oferece conselho de graça, não solicitado, você o aceita sem discutir ou analisa-lhe os motivos?

 

            O que deseja acima de tudo? Pretende adquiri-lo? Está disposto a subordinar todos os outros desejos a esse? Quanto tempo diário dedica a sua aquisição?

 

            Você muda de opinião com freqüência? Por quê?

 

            Costuma terminar tudo o que começa?

 

            Impressiona-se facilmente com os negócios alheios ou títulos profissionais, graus universitários, riqueza?

 

            É facilmente influenciável pelo que os outros pensam e dizem de você?

 

            Liga-se às pessoas por causa do status social ou financeiro delas?

 

            Qual, na sua opinião, a pessoa viva mais importante? De que modo essa pessoa lhe é superior?

 

            Quanto tempo dedicou a estudar e responder a essas perguntas? (Pelo menos um dia é necessário para a análise e resposta da lista toda.)

 

            Se respondeu com franqueza a todas as perguntas, sabe agora mais a seu próprio respeito do que a maioria das pessoas. Estude, cuidadosamente, as perguntas, volte a elas uma vez por semana, durante vários meses. E, surpreenda-se com a quantidade de conhecimentos extraordinários, de grande valor para

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você, que terá adquirido pelo simples método de responder as perguntas com franqueza. Se não tiver certeza das respostas referentes a algumas das questões, peça a orientação de quem o conheça bem, principalmente dos que não têm motivos para agradá-lo, e veja-se através dos olhos deles. A experiência será surpreendente.

 

 

            A Diferença Que o Controle Mental Faz

 

            Você só tem controle absoluto sobre uma coisa: seus pensamentos. Esse é o fato mais significativo e inspirador que se conhece! Reflete a natureza divina do homem. Essa prerrogativa divina é o único meio pelo qual você pode controlar seu destino. Se você não conseguir controlar a mente, esteja certo de que não pode controlar mais nada. Se tiver de ser descuidado com suas posses, que o seja com relação às coisas materiais. A mente é sua propriedade espiritual! Projeta-a e use-a com o cuidado que a propriedade divina merece. Para isso lhe foi dada a força de vontade.

 

            Infelizmente, não há proteção legal contra os que, intencionalmente ou por ignorância, envenenam a mente alheia, por sugestão negativa. Esse tipo de destruição deveria ser punível por meio de pesadas penalidades legais, porque pode – e o faz muitas vezes – destruir as oportunidades de alguém adquirir coisas materiais, protegidas por lei.

 

            Homens de mente negativa tentaram convencer Thomas A. Edison de que não saberia construir a máquina capaz de gravar e reproduzir a voz humana, “porque”, argumentavam, “ninguém tinha jamais produzido tal máquina.” Edison não lhes deu crédito. Tinha a certeza de que a mente poderia produzir qualquer coisa que concebesse e em que acreditasse e foi isso que elevou o grande Edison acima do rebanho comum.

 

            Homens de mente negativa disseram a F. W. Woolworth que iria à falência, tentando dirigir uma loja dos “dois mil réis”. Não lhes deu confiança. Sabia que faria qualquer coisa razoável, se baseasse os planos na fé. Exercendo o direito de impedir que sugestões negativas alheias lhe penetrassem a mente, empilhou uma fortuna de mais de cem milhões de dólares.

 

            Gente incrédula zombava, com desprezo, de Henry Ford, quando esse experimentou o primeiro automóvel, rusticamente construído, nas ruas de Detroit. Alguns afirmavam que a coisa

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nunca se tornaria prática. Outros diziam que ninguém daria dinheiro por uma geringonça daquelas. Ford proclamou: “Cercarei a Terra de automóveis seguros.” Foi o que fez! Para beneficiar os que procuram vastas riquezas, que seja lembrado que a única diferença entre Henry Ford e a maioria dos que trabalham é essa: Ford tinha mente e controlava-a. Outros as têm, mas não tentam controlá-la.

 

            Controle mental é resultado de autodisciplina e hábito. Ou você controla a mente ou ela o controla. Não há meio termo. O método mais prático de controlar a mente é o hábito de manter-se ocupado, com propósito definido, apoiado em um plano definido. Estude a história de qualquer homem que tenha alcançado sucesso notável e observará que ele tem controle sobre a mente, além de exercer o controle e dirigi-lo para a realização de objetivos definidos. Sem esse controle, o sucesso não é possível.

 

 

            Você Usa Esses Álibis?

 

            As pessoas que não obtém êxito possuem um traço em comum. Conhecem todas as razões do fracasso e têm o que acreditam ser álibis incontestáveis para explicar sua falta de realizações.

 

            Alguns dos álibis são inteligentes e há os que se justificam pelos fatos. Mas álibis não servem de dinheiro. O mundo só quer saber de uma coisa: você alcançou sucesso?

 

            Um analista de caráter compilou uma lista dos álibis mais comumente empregados. Ao ler a lista, examine-se cuidadosamente, determinando quantos deles são propriedade sua. Lembre-se também que a filosofia apresentada nesse livro torna qualquer desses álibis obsoleto.

 

            Se eu não tivesse mulher e família ...

 

            Se eu tivesse “pistolão” ...

 

            Se eu tivesse dinheiro ...

 

            Se eu tivesse boa instrução ...

 

            Se eu pudesse arranjar um emprego ...

 

            Se eu gozasse de boa saúde ...

 

            Se eu tivesse tempo ...

 

            Se os tempos fossem melhores ...

 

            Se os outros me compreendessem ...

 

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            Se as condições que me cercam fossem diversas ...

 

            Se pudesse viver minha vida novamente ...

 

            Se eu não temesse o que “eles” diriam ...

 

            Se me tivessem dado uma oportunidade ...

 

            Se eu tivesse agora uma oportunidade ...

 

            Se não implicassem comigo ...

 

            Se nada acontecer que me impeça ...

 

            Se eu fosse mais jovem ...

 

            Se eu pudesse fazer o que quero ...

 

            Se tivesse nascido rico ...

 

            Se pudesse encontrar “as pessoas certas” ...

 

            Se eu tivesse o talento que alguns têm ...

 

            Se eu ousasse me impor ...

 

            Se eu tivesse aproveitado oportunidades passadas ...

 

            Se as pessoas não me enervassem ...

 

            Se eu não tivesse de lidar com a casa e com as crianças ...

 

            Se eu pudesse economizar algum dinheiro ...

 

            Se o patrão me desse valor ...

 

            Se eu tivesse alguém que me ajudasse ...

 

            Se minha família me entendesse ...

 

            Se eu vivesse numa cidade grande ...

 

            Se eu pudesse começar ...

 

            Se eu fosse livre ...

 

            Se eu tivesse a personalidade de algumas pessoas ...

 

            Se eu não fosse tão gordo ...

 

            Se conhecessem meu talento ...

 

            Se pudesse conseguir uma oportunidade ...

 

            Se pudesse saldar minhas dívidas ...

 

            Se eu não tivesse fracassado ...

 

            Se eu soubesse como ...

 

            Se todos não fossem contra mim ...

 

            Se eu não tivesse tantas preocupações ...

 

            Se eu pudesse me casar com a pessoa certa ...

 

            Se as pessoas não fossem tão tolas ...

 

            Se minha família não fosse tão extravagante ...

 

(p. 209)

            Se eu tivesse mais confiança em mim mesmo ...

 

            Se a sorte não estivesse contra mim ...

 

            Se eu não tivesse nascido sob signo errado ...

 

            Se não fosse verdade que “o que têm de ser, será” ...

 

            Se eu não tivesse de trabalhar tão arduamente ...

 

            Se eu não tivesse perdido dinheiro ...

 

            Se eu morasse noutro bairro ...

 

            Se eu não tivesse um “passado” ...

 

            Se eu tivesse um negócio só meu ...

 

            Se os outros me ouvissem ...

 

            SE ... e esse é o maior de todos... se eu tivesse a coragem de me ver como sou realmente, descobriria o que há de errado comigo e me corrigiria. Poderia então ter oportunidade de lucrar com meus erros e aprender algo da experiência alheia, pois sei que há algo errado comigo, senão estaria agora onde estaria se tivesse passado mais tempo analisando minhas fraquezas e menos tempo criando álibis para encobri-las.

 

 

            O Hábito Fatal ao Sucesso

 

            Criar álibis para explicar o fracasso é passatempo nacional. O hábito é antigo como a raça humana e é fatal ao sucesso! Por que é que as pessoas se agarram aos álibis favoritos? A resposta é óbvia. Defendem os álibis porque os criam! O álibi do homem é fruto de sua imaginação. É da natureza humana defender o filho cerebral.

 

            Criar álibis é hábito profundamente arraigado. É difícil romper hábitos, especialmente quando são uma justificativa de algo que fazemos. Platão pensava nessa verdade, ao dizer: “A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo. Ser conquistado por si mesmo é a mais vergonhosa e vil das coisas”.

 

            Outro filósofo tinha o mesmo pensamento em mente, ao afirmar: “Foi para mim grande surpresa descobrir que toda a lealdade que via nos outros, não passava de reflexo de minha própria natureza”.

 

            “É sempre um mistério para mim”, disse Elbert Hubbard, “por que as pessoas passam tanto tempo se iludindo, deliberadamente, criando álibis para encobrir suas fraquezas. Se fosse

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usado de maneira diferente esse mesmo tempo seria suficiente para curar a fraqueza, de modo que então não seriam necessários álibis”.

 

            Encerrando, quero lembrar-lhe que: “A vida é um tabuleiro de xadrez e o jogador à sua frente é o tempo. Se você hesitar na jogada ou deixar de jogar com rapidez, suas peças serão eliminadas até lá. Você está jogando contra um parceiro que não tolera indecisão”!

 

            Antigamente você poderia ter uma desculpa lógica por não ter forçado a vida a lhe dar o que queria, mas esse hábito é agora obsoleto, porque você está de posse da chave-mestra que abre a porta da vida a riquezas fartas.

 

            A chave-mestra e intangível, mas poderosa! É o privilégio de criar, em sua mente, um desejo ardente por uma espécie definida de riquezas. Não há penalidade imposta pelo uso da chave, mas há um preço a pagar se não a usar. O preço é o fracasso. Há um prêmio de proporções estupendas se puser a chave em uso. É a satisfação que atinge aos que conquistam a si mesmos e forçam a vida a pagar a que lhe pedem.

 

            O prêmio vale seu esforço. Você vai começar e se convencer?

 

            “Se tivermos afinidade”, disse o imortal Emerson, “encontrar-nos-emos.” Ao terminar, lanço mão do seu pensamento para dizer: “Se temos afinidade, então já nos encontramos, através dessas páginas”.

 

 

 

         PONTOS A FIXAR:

 

            Temores são comuns e alguns até justificáveis. Mas há os que podem lançar raízes e crescer sem que você o perceba – a não ser que se livre da indecisão e da dúvida, que semeiam as sementes do medo.

 

            Os álibis que usar dizem muito a seu respeito. Nenhum álibi deve detê-lo, enquanto você segue a máxima: PENSE E ENRIQUEÇA.

 

            Você reúne riquezas em dinheiro e riquezas incomensuráveis em dinheiro – embora o dinheiro o ajude a encontrar felicidade, vida longa, diversão, paz de espírito.

 

            O mais valioso de todos os tesouros – a boa saúde – pode ser seu se dominar o medo e se livrar das doenças que pode trazer. Os mais deslumbrantes tesouros estão à sua espera, para que estenda as mãos e os alcance!

 

            O homem sem temor vence nos horizontes longínquos.

 

 

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